domingo, 22 de outubro de 2017

Crítica Homem - Aranha: De Volta ao Lar



Mais uma vez temos um filme do Homem Aranha, mas dessa vez, os direitos autorais estão com a Marvel. Todos já estão cansados de saber a história de como Peter Parker se torna o amigo da vizinhança e por isso mesmo a Marvel faz o certo: deixa para trás essa história e segue em frente. Acredito que essa tenha sido a melhor decisão da produtora: ao conseguir os direitos para incorporar o personagem ao universo estendido, não criaram pretensões. Não mostraram a história que todos estão cansados de saber (Peter sendo mordido por uma aranha, a morte do tio, etc). Com isso, deixaram bem claro que a intenção não era apagar os filmes anteriores e muito menos tentar ser melhor que a primeira trilogia que está eternizada na mente de todos (ainda considerada a melhor). A Marvel foi bem clara em seu objetivo: trazer um novo Homem – Aranha, agora mais novo, que se assemelhasse mais ao personagem apresentado nas HQ’s e desenhos para entrar na equipe dos Vingadores – e mais para frente, quem sabe liderar. Com isso, criaram um filme divertido, leve e que agradou a maioria dos espectadores. 

O personagem agora interpretado por Tom Holland já havia sido (re)apresentado em Guerra Civil e suas cenas não deixou ninguém decepcionado, pelo contrário, deixou à todos ainda mais ansiosos para ver o novo filme do Cabeça de Teia que parecia cair tão bem nesse ator mais jovem. Os fãs de longa data agora conseguiam ver aquele personagem tão amado finalmente sendo apresentado de forma mais parecida com o Peter que todos já conheciam. 

O longa já começa bem. Michael Keaton é o futuro Abutre e os primeiros minutos do filme mostram como ele chega até o ponto de se tornar o vilão. A história do personagem foi muito bem criada: pegaram um tema relevante e jogaram em nossa cara, nos fazendo imediatamente sentir empatia e entender o lado dele. A história é real, causa uma identificação imediata à quem está assistindo. Ao contrário da maioria dos vilões que hoje são apresentados nos filmes, sua história bem construída o torna um vilão memorável – e apresenta uma bela interpretação de Keaton. 

E é então que entra Tom Holland com seu Homem – Aranha para começar a jornada. Com um toque muito juvenil e cômico, o ator traz um Peter adolescente de forma muito confortável. É impossível imaginar outro ator para essa nova versão. Tom consegue trazer com maestria os dois lados apresentados no filme: a exaltação de ser um herói (e querer provar seu valor) junto aos dramas adolescentes. Aqui, Peter tem 15 anos, e junto com a bagagem de querer salvar o mundo, ele passar por mudanças humanas típicas da adolescência, principalmente o primeiro amor. É aí que acredito que o filme funciona tão bem. O roteiro consegue ser aquele que mais mostra Peter Parker como humano, como uma pessoa que era normal e acaba em meia a algo extraordinário. Eles não focam somente em seu lado heroico, mas em seu lado humano cheio de dúvidas. 

Isso fica evidente ao longo do filme quando vemos Peter explorar seu traje tão bem feito por Tony e ao mesmo tempo querer provar que ele pode ser muito mais e fazer parte dos Vingadores. Conforme a trama avança, ele vai se dando conta que para ser um super herói, é preciso muito mais que um traje. Tony Stark aparece para lhe dar essa lição (vale ressaltar que as aparições do personagem foram muito bem dosada, trazendo humor e drama em momentos certos, mas sem tomar o lugar do protagonista). A partir do momento que Peter se encontra sem seu traje super sofisticado e precisa voltar ao início é que ele finalmente consegue se descobrir como Peter e como Aranha. 

O filme se foca muito mais nesse lado de descobertas do que de ação. Muitos acharam isso ruim, já eu particularmente gostei. As cenas de ação foram colocadas em momentos chaves, sem exageros, combinando com o tom do filme. A impressão que passa é que quiseram começar devagar e entregar algo agradável do que algo corrido e sem cabimento com a história do personagem. Daí em diante, acredito que vão crescendo aos poucos nos próximos filmes. 

O longa também é recheado de referências – Capitão curtiu isso! – incluindo uma homenagem à icônica cena do beijo do primeiro filme. Jon Watts (diretor) consegue trazer uma atmosfera muito agradável, recheado de homenagens aos filmes dos anos 80 (como De volta para o futuro, Clube dos Cinco e principalmente Curtindo a vida adoidado). Isso trouxe um ar juvenil muito bem feito e que não só combina com o Peter de Tom, mas combina com o que a trama quer passar. Essas cenas fazem o filme ficar ainda melhor, trazendo um tom de nostalgia para o espectador. O humor que gira também em toda a trama é a melhor cartada e é o que faz o filme ser tão bom quanto foi – e o melhor de tudo, nada com exagero. 

Entrando nesse setor juvenil, além de Tom, os outros atores que compõem o núcleo colegial – ressalva para a diversidade mostrada aqui – são muito bem escolhidos. O personagem de Ned traz momentos cômicos e nerds deliciosos, roubando a cena em diversos momentos, e a química do ator com Tom é ótima. Ressalva também para o personagem do Flash. Diferente dos quadrinhos, foi uma ótima surpresa. Trazido para os dias de hoje. Não vemos um Flash que aterroriza através da violência, mas um outro tipo de bullying, muito mais interessante – e importante – para nossa atualidade. 

De Volta ao Lar termina cumprindo sua função: trazer um Peter Parker com novas nuances para o Universo Cinematográfico Marvel. Acredito que ao final tenha sido uma ótima forma de apresentar o personagem e que Tom ainda vai crescer muito com – e como – o Amigo da Vizinhança. Já entrou para a listinha dos meus preferidos.

Mavi Tartaglia


quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Crítica A Lenda de Tarzan



Sinopse: “Releitura da clássica lenda de Tarzan, na qual um pequeno garoto órfão é criado na selva, e mais tarde tenta se adaptar à vida entre os humanos. Na década de 30, Tarzan, aclimatado à vida em Londres em conjunto com sua esposa Jane, é chamado para retornar à selva onde passou a maior parte da sua vida onde servirá como um emissário do Parlamento Britânico.”

Para quem conhece o filme original, logo de cara irá se deparar com várias referências do longa: personagens, a selva, o balanço entre árvores, o lendário grito. Mas as semelhanças param aí. Nesse filme, iremos ter Tarzan anos depois de voltar para o mundo humano. O filme teria tudo para trazer uma nova visão para o herói e satisfazer os espectadores, porém isso não acontece.

O primeiro ponto é o roteiro. Com diversos plots, acaba ficando perdido e não consegue se focar em nenhum, assim como não traz profundidade à nenhum deles e por isso o espectador não consegue criar um vínculo com nenhuma parte da história. Personagens acabam ficando jogados e suas motivações não muito bem explicadas, principalmente os vilões, não criando nenhuma empatia de quem está assistindo. Todo o filme é extremamente previsível e cheio de clichês.



O elenco que tem nomes conhecidos e de peso acaba não conseguindo dar uma atuação brilhantes justamente por esses defeitos. Christopher Waltz que sempre marca em suas interpretações, não convence e seu personagem é previsível, perdendo forças diante do outro vilão. Jane, interpretada por Margot Robbie, que no começo tinha tudo para se destacar como uma mulher forte ao longo do filme acaba caindo no clichê da donzela que precisa ser salva. No fim, o único que consegue um pouco mais de destaque é Alexander Skarsgård por possuir um pouca mais de camadas para seu personagem e mesmo assim, há momentos que não convence.

Os efeitos visuais que poderiam complementar a história muito bem, acabam sendo apenas efeitos. Em muitos momentos, o CGI não é bem feito, não passando nenhuma veracidade, e a selva que devia nos transportar para outro mundo, acaba sendo somente algo qualquer.

A montagem também não funciona. A história fica perdida, muitos momentos não ligando uma cena com a outra. A trilha sonora serve somente como tapa buraco, tentando inutilmente causar alguma emoção no espectador já que nenhum outro elemento do filme consegue isso. 

No fim, A Lenda de Tarzan acaba sendo uma decepção e o que prometia ser um filme diferencial (como Malévola foi), acaba caindo na mesmice.

Mavi Tartaglia

domingo, 23 de julho de 2017

Resenha A Prisão do Rei



Sinopse: “Mare Barrow foi capturada e passa os dias presa no palácio, impotente sem seu poder, atormentada por seus erros. Ela está à mercê do garoto por quem um dia se apaixonou, um jovem dissimulado que a enganou e traiu. Agora rei, Maven continua com os planos de sua mãe, fazendo de tudo para manter o controle de Norta — e de sua prisioneira. Enquanto Mare tenta aguentar o peso sufocante das Pedras Silenciosas, o resto da Guarda Escarlate se organiza, treinando e expandindo. Com a rebelião cada vez mais forte, eles param de agir sob as sombras e se preparam para a guerra. Entre eles está Cal, um prateado em meio aos vermelhos. Incapaz de decidir a que lado dedicar sua lealdade, o príncipe exilado só tem uma certeza: ele não vai descansar enquanto não trouxer Mare de volta.”

A Prisão do Rei é o terceiro volume da série A Rainha Vermelha. Para quem não conhece, a história é uma distopia onde as pessoas são divididas entre vermelhos e prateados. Os prateados são os ricos, poderosos, os que governam e possuem poderes especiais (como manipular fogo, mentes, água, etc) e os vermelhos são a classe pobre e trabalhadora, sem poderes. Porém tudo mudo quando Mare, uma garota vermelha, ao ir trabalhar no palácio, acaba descobrindo que pode controlar eletricidade. Para esconder isso de todos, a Monarquia a faz se passar por uma prateada. Ao mesmo tempo, ela descobre a Guarda Escarlate que é formada por vermelhos que tentam lutar por uma revolução. Nisso, a jovem é jogada em um mundo de traições e jogos de poderes, nunca sabendo em quem confiar. O final do primeiro livro é bem surpreendente, com Mare sendo traída por alguém que confiava e o Príncipe Cal sendo manipulado em um jogo muito maior. 

O segundo volume começa com Cal e Mare conseguindo fugir do novo Rei, Maven, irmão mais novo de Calore, com a ajuda da Guarda Escarlate. Em busca de mais vermelhos como Mare, ela acaba descobrindo que a Guarda também não é aquilo que ela pensa e tudo parece ficar cada vez mais complicado. Nos dois primeiros volumes a leitura é muito rápida, com muita ação e com a história te prendendo do começo ao fim.

O terceiro livro começa de onde o último parou: Mare está nas mãos de Maven, sem poder usar seus poderes e ficando cada vez mais fraca. A Guarda Escarlate começa a fazer avanços, deixando o Rei desesperado. Mais uma vez usando Mare para seu próprio jogo, Maven a usa para desacreditar a Guarda. Enquanto isso, a garota elétrica enquanto prisioneira, tenta descobrir o máximo possível das fraquezas de Maven, trazendo revelações surpreendentes. 

Esse com certeza é o volume mais maduro. Enquanto os outros dois eram centrados na ação, aqui adentramos no mundo político. Estamos em um jogo de xadrez, nunca sabemos qual é a próxima peça que será movida. Como sempre, Victoria consegue trazer elementos que irão te surpreender. Todos parecem estar lutando para conseguir o poder e mais do que nunca é difícil prever o próximo passo, assim como em quem confiar.

Mare amadureceu muito nesse livro. No segundo a protagonista me irritou muito, parecendo uma garota mimada. Com sua prisão e sendo torturada constantemente, a garota amadurece, vendo seus erros e percebendo que tudo ao redor dela era muito maior do que ela esperava. Novas facetas de Maven também são reveladas e conseguimos entender como ele se tornou o monstro que é hoje.

Outra personagem que consegue seu espaço é Evangeline. Ela continua sendo uma pessoa cruel, mas agora sabemos de camadas de sua personalidade e vida que torna a personagem mais clara e mais complexa – e eu adoro personagens assim!

Por outro lado, Cal está com a Guarda Escarlate. Ele é o que mais se preocupa em resgatar Mare. A Guarda continua avançando em suas conquistas, mesmo com Maven fazendo de tudo para pará-los. Cal está fazendo algo por debaixo dos panos e faz uma aliança inesperada. Enquanto senti que todos os outros personagens principais amadureceram, com Cal isso não aconteceu. Ele continua na mesma que antes, sem se decidir, não colocando com opinião e se deixando ser manipulado pelos jogos de poder. Eu gostava muito do personagem e isso me decepcionou nesse volume. Acho que ele e Mare podem formar um bom casal (sou uma das únicas que acho isso), mas para que aconteça, ele precisa crescer. Enquanto todos os outros evoluíram, o príncipe prateado destronado continuou na mesma (em alguns momentos, parece até que retrocedeu). Teve trechos que fiquei com vontade de pegar ele e dar uns tapas para ver se acordava. Espero que no próximo ele tenha mais espaço e isso melhore.

Por a maior parte do livro estar centrado em assuntos políticos, achei a primeira parte bem lenta de se ler. Chega a ser monótono. Alguns momentos são importantes para a série, mas a autora não conseguiu me prender muito como consegue em suas cenas de ação. Não pelo fato de serem assuntos políticos, mas o modo que ela escreveu. A leitura começou a avançar depois da metade, mesmo assim não senti a adrenalina dos dois primeiros.

Porém, o final, como sempre, ela sabe fazer. Ela é mestre em deixar a maior surpresa para as últimas páginas e assim te deixar louco para o próximo volume. Com esse não foi diferente. Novas alianças são feitas e novos planos traçados. Para onde isso vai levar, temos que aguardar.

Esse terceiro livro pode ser um pouco diferente dos outros dois, com alguns momentos em baixa, mas para quem é fã da série, no final não irá se decepcionar. Agora mais do que nunca os jogos de poder estão ficando mais intensos e mal posso esperar para ver o desenrolar dessa história. 


Mavi Tartaglia

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Crítica A Bela e a Fera 2017




Desde que o Live Action de a Bela e a Fera foi anunciado, a expectativa era grande – e aumentou ainda mais depois que Emma Watson foi anunciada no papel da protagonista. A animação é um dos grandes clássicos da Disney e talvez um dos mais conhecidos e a cada notícia o coração acelerava.

Para quem espera uma história diferente, não perca o tempo assistindo. O filme é extremamente fiel ao desenho, incluindo todas as músicas. Porém essa versão tem algumas diferenças. O roteiro conseguiu humanizar os personagens, contando suas histórias do passado para mostrar como eles chegaram a ser o que são – entendemos agora o pai de Bela e como eles foram para no vilarejo; mas o mais importante, vemos de onde veio a personalidade do príncipe amaldiçoado. Além de mostrar histórias além, foi possível conectar algumas pontas que ficam soltas na animação, como por exemplo como nunca ninguém estranhou o fato de ter um castelo perto do vilarejo ou nunca o mencionar.

O elenco está magnifico. Luke Evans rouba a cena com um Gaston egocêntrico e que mostra sua crueldade ao decorrer do filme. Dan Stevens também está ótimo em seu papel como Fera. Para mim, ambos os atores estão excelentes em seu papel. Dan me surpreendeu porque não o conseguia e fazer o papel da Fera, que seria todo de efeitos especiais, não é algo muito fácil. Emma Watson é a Bela escrita dos desenhos e em personalidade, porém achei sua atuação a mais fraca de todo o elenco. Parece que ela não saiu das atuações já conhecidas, trazendo as mesmas caras e bocas. A atriz estava boa, mas comparada com o resto do elenco e atuações, acredito que ficou um pouco apagada. Josh Gad é outro que consegue roubar as cenas – e nos cativar – com seu LuFou, trazendo um constante alívio cômico. O restante do elenco também está bom, com os atores cumprindo bem seus papéis.

Para quem é fã da animação, irão reconhecer todas as músicas do desenho que se encarregam de trazer toda a magia de volta. Toda vez que uma música começava, era impossível não lembrar do antigo filme e da minha infância sentada em frente à TV assistindo o filme repetidas vezes. Mas o longa também traz canções originais para dar um toque nas partes novas do roteiro – o que ao meu ver funcionou muito bom. Você reconhece a animação, mas consegue uma profundidade maior. Os números teatrais estão maravilhosos e me trouxe um tom de saudade a cada música cantada. 

Outro ponto alto – senão o maior – é a direção de arte. Ela salta em nossa visão já no começo do filme, trazendo cenários e figurinos pomposos, mostrando que o filme iria carregar no visual – e ficou deslumbrante. Os cenários também conseguem passar uma certa magia desse mundo encantando. Detalhe para as diferenças sem maldição e com maldição; e como que com a vinda de Bela o castelo aos poucos começa a retornar à vida. Outra coisa que gostei muito do filme foi mostrar que o castelo em si estava amaldiçoado também, sendo destruído pouco a pouco conforme as pétalas caiam. Porém algo que me decepcionou muito foi o vestido amarelo. A cena mais conhecida da animação perder um pouco sua magia com um vestido que não foi nem um pouco tão grandioso quanto na animação. Depois do trabalho feito em Cinderela, esperava algo muito mais magnifico. 

Outro ponto baixo foi alguns efeitos especiais, em especial o efeito da Fera. Assim como o vestido, faltou grandiosidade. A Fera do desenho é muito mais marcante, grande, com um visual que ajuda a acompanhar sua crueldade do começo da história e que quer mostrar ao fim que não importa a imagem de fera, o que importa é o que está dentro. Muitos reclamaram desde quando foi lançada a primeira imagem do personagem e isso fica ainda mais evidente no filme. A atuação de Dan consegue salvar um pouco o personagem, mas conseguimos sentir que falta algo. Além disso, alguns outros personagens não funcionaram bem, como Zip e Madame Samovar – ficaram um pouco artificiais demais, o que prejudicou um pouco algumas cenas. 

O filme faz sua trajetória com pontos altos e baixos, todavia consegui sair satisfeita depois da sessão no cinema. Senti a magia, senti uma profundidade maior, mas o mais importante, senti nostalgia. A Bela e a Fera é minha animação favorita e ver essa versão deslumbrante em muitos momentos me fez voltar a infância. Me senti sentada novamente em frente à TV, vendo o filme em fita cassete, vestida com a fantasia da Bela. E não posso negar que alguns momentos me levaram às lágrimas.

A Bela e a Fera consegue homenagear seu antecessor, trazendo também um pouco de magia própria. Como eu disse, para quem espera uma versão diferente como Malévola foi de A Bela Adormecida, não perca seu tempo. Esse filme é para aqueles que querem ver a animação recriada em live action e nisso cumpre bem sua função. 


Mavi Tartaglia

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Rsenha Trono de Vidro

Sinopse: “Nas sombrias e sujas minas de sal de Endovier, um jovem de 18 anos está cumprindo sua sentença. Celaena é uma assassina, e a melhor de Adarlan. Aprisionada e fraca, ela está quase perdendo as esperanças quando recebe uma proposta. Terá de volta sua liberdade se representar o príncipe de Adarlan em uma competição, lutando contra os mais habilidosos assassinos e larápios do reino. Endovier é uma sentença de morte, e cada duelo em Adarlan será para viver ou morrer. Mas se o preço é ser livre, ela está disposta a tudo.”




Confesso que quando me indicaram esse livro e eu li a sinopse, não botei muita fé. Demorei um tempo para encontrar e um pouco mais para tirar da estante e decidir ler. Nos primeiros capítulos, o pé ainda estava atrás e estava começando a me arrepender de ter iniciado a leitura. Alguma coisa na escrita da autora estava me incomodando e não me sentia envolvida com a história, mas decidi continuar.

Aos poucos então fui me envolvendo. A escrita começou a melhorar a chamar minha atenção. Comecei a ler os capítulos com mais curiosidade e mais vontade, além da leitura começar a ficar agradável, daquelas que você nem vê o tempo passar. 

O que mais gostei do livro foi a protagonista. Celaena é uma protagonista forte – o que já é esperado, já que é uma assassina – mas ao mesmo tempo, consegue ser engraçada, feminina e mesmo assim fora dos padrões, tendo seus momentos também não muito femininas, digamos assim. Ela sai daquela caixinha de clichê de protagonistas, o que nos leva para grandes surpresas, nunca sabendo exatamente como ela vai reagir. Além disso, é a personagem mais bem montada, o que torna fácil sua ligação com ela (apesar de seu passado ser pouco a pouco revelado).

Mas na verdade, essa é o grande ponto alto da história, e só. O restante do livro não traz nada de surpreendente, cai em vários clichês, além de furos na história. A maior parte dos personagens são muito mal construídos, principalmente os vilões, o que traz um buraco enorme para a história. O rei apareceu poucas vezes e não havia motivação nenhuma por trás de seus atos além de querer mostrar poder, mas que por ter sido mal construído, parecia que estava ali só por estar, sem reais motivações por trás de tudo.

Além disso, logo no começo da trama já sabíamos o rumo que a história iria tomar. O começo, meio e fim já estava todo ali para você e ao chegar ao final do livro, não há grandes surpresas em relação a trama principal. 

Outro fator que me decepcionou foi o triangulo amoroso. Fazia muito tempo que não lia um livro com um triângulo tão forte assim e o tempo gasto com ele e romance foi demais (eu adoro um romance, acho que até pode acrescentar para a história, mas quando é bem dosado). No casa desse livro, o romance não era o foco principal da trama (nem é apresentado na sinopse), o que tirou totalmente o foco de ser um livro épico e da jornada da heroína. Confesso que por enquanto sou Team Príncipe, mas vamos ver para onde vai essa história. Achei que avançou muito rápido essa relação dos três, sem dar uma devida profundida (coisa que acontece com todos os personagens dos livros).

Outros fatores decepcionantes foram as provas e a Celaena não mostrar o livro inteiro para o que veio. As provas são uma mais babaca que a outras. É um livro de AÇÃO e ÉPICO, coloque para quebrar!!!! Elas passavam rápido e sem devida atenção. E com isso, nunca soubemos realmente as habilidades da protagonista que a todo momento era chamada de “a melhor assassina”, mas que nunca pode mostrar seu valor. 

Porém, nem tudo está perdido. A parte da fantasia, que lentamente é introduzida nesse livro, nos deixa esperança que dias melhores virão. A autora consegue montar esse cenário muito bem e por não ter dado muito atenção à ele, fica a promessa que teremos esse lado mais explorado nos próximos livros – como era a magia antes de ser banida, o que a trará de volta, quais as consequências se o Rei quiser usá-la e claro, envolvimento Celaena nisso tudo. 

Por esse motivo, ao final do livro, você ainda tem uma curiosidade de continuar a leitura. A esperança para que a trama melhore e mostre mais facetas dos personagens faz você querer persistir a leitura. Além disso, já que o triângulo foi montado, como isso irá afetar a assassina e seus dois amores, o Príncipe, que cada vez mais parece querer se afastar das atitudes do pai e o Guarda, que sempre foi contra o envolvimento da assassina em toda a trama. 

Ao final, é uma leitura rápida. A história prometia mais do que cumpriu, mas tenho esperanças para o futuro da saga. Para quem nunca adentrou nesse mundo de histórias épicas, é um bom livro para se começar e acostumar com o gênero.

Mavi Tartaglia

sábado, 21 de janeiro de 2017

Crítica: La La Land - Cantando Estações




Sinopse: "Em Los Angeles, Sebastian (Ryan Gosling) é um pianista de jazz cheio de marra e vaidoso que acaba se apaixonando por uma atriz aspirante, a sonhadora Mia (Emma Stone). Mas esse amor passa por várias provações, já que começam a se dedicar mais e mais ao trabalho à medida em que vão se tornando bem-sucedidos pouco a pouco."

La La Land é o mais recente filme que tem arrebatado corações nos últimos dias, além de milhares de prêmios nessa época de premiações (no Globo de Ouro, levou todos que concorria). 

É um musical que logo no inicio já mostra para que veio. Sua abertura já é com uma música viciante e que mostra qual o clima do filme, além de mostrar que dificilmente você irá conseguir ficar parado em sua cadeira assistindo a esse longa.

Utilizando a metalinguagem, o filme faz uma grande homenagem ao cinema em sua Era de Ouro além de homenagear o jazz, aquele estilo musical que aos poucos está morrendo (infelizmente).

Através da paixão de Mia pelo cinema, vemos várias referências aos filmes clássicos como Cantando na Chuva e Casablanca. Através de Seb, vemos como sua paixão pelo jazz é intensa e seu sonho de não o deixar morrer, e sim preservar aquele velho e bom jazz.

La La Land irá trazer de volta o encantamento que os musicais tinham. Você irá ficar com os olhos vidrados nas coreografias e emocionado com as músicas. Nos momentos mais intimistas, irá se sentir dentro de um teatro, com somente um foco de luz no artista, centralizando-o na cena. 

Para completar o deleite visual, temos uma fotografia magnifica. A combinação de cores faz ser impossível desviar o olhar da tela, combinando perfeitamente os tons com as cenas de forma linda e às vezes contraditórias. Ao ver o longa, você simplesmente irá se esquecer do mundo real e ser transportado para outra dimensão. Através das cores, passeamos pelas estações com os personagens. 

O diretor passeia com a câmera entre as cenas de forma elegante. Seus movimentos casam perfeitamente com os personagens e a ação vivida.

Ryan Gosling e Emma Stone estão fenomenais em seus papéis. O filme tem como objetivo se focar neles e em sua relação, e apesar de todos os sentimentos que nos invadem, nunca os esquecemos. Eles mostram uma química e dinâmica incrível juntos e acredito que o filme não seria o mesmo sem eles. Emma traz toda sua personalidade divertida em Mia e Ryan se mostra como uma alma velha em todas as cenas que aparece. 

Em meio à tudo isso, o diretor nos transporta para um filme que iremos nos identificar rapidamente. O amor versus o sonho. O tempo todo isso é nos jogado na cara de forma emocionante, nos levando a questionar nossa vida e escolhas (para aqueles que sobrevivem da arte, será impossível não se identificar). A realidade nos é escancarada de forma tão bonita que o filme se torna ainda mais especial. 

Os minutos finais são de tirar o fôlego, surpreendente. Ao terminar o filme, será difícil encontrar forças para se levantar e deixar o filme para trás. Você irá se pegar pensando nele por várias horas depois de assisti-lo e garanto que depois disso, mesmo assim será difícil tirá-lo da cabeça. (ai gente, sério, que final! Chorei horrores!!!!!)

Se o filme inteiro já foi tecnicamente perfeito, os últimos dez minutos não há nem palavras para descrever. Você irá sentir as lagrimas nos olhos e se emocionar feito uma criança. 

É possível perceber que o diretor jogou sua alma em La La Land. Com tamanha perfeição, depois de vê-lo conseguimos entender porque está sendo tão comentado. 

Aproveitem que o filme está em cartaz e corra para o cinema mais próximo. Será uma experiência que não irá se arrepender. Para os cinéfilos e fãs de musicais, impossível não assistir e já arrumar um lugar para ele na lista de favoritos. 

Obs: Você não irá conseguir tirar City of stars da cabeça.


Mavi Tartaglia

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Resenha As Crônicas Lunares - Cress e Winter



Oi, pessoas!!! Para começar o ano bem, trago as resenhas dos dois livros finais de As Crônicas Lunares, que com certeza foram os melhores livros que li em 2016 no gênero fantasia! Espero que gostem.



Sinopse de Cress: “Neste terceiro livro da série Crônicas Lunares, Cinder e o capitão Thorne estão foragidos e agora levam Scarlet e Lobo a reboque. Juntos, eles planejam derrubar a rainha Levana e seu exército. Cress talvez possa ajudá-los. A garota vive aprisionada em um satélite desde a infância, com a companhia apenas de telas, o que fez dela uma excelente hacker. Coincidência ou não, infelizmente ela também acabou de receber ordens de Levana para rastrear Cinder e seu bonito cúmplice. Quando um ousado plano de resgatar Cress dá errado, o grupo se separa. Cress enfim conquista a liberdade, mas o preço a se pagar é alto. Enquanto isso, Levana não vai deixar que nada impeça seu casamento com o imperador Kai. Cress, Scarlet e Cinder talvez não tenham a intenção de salvar o mundo, mas muito possivelmente são a última esperança do planeta.”

Quando você pensa que essa série não pode ficar melhor, Marissa vem e mostra que pode sim, e muito! Considero o terceiro volume o melhor dos quatro, tanto pela narrativa frenética e cheia de surpresas, tanto pela protagonista que me cativou muito.

Cress é inspirada em Rapunzel. Nessa versão, ele é uma prisioneira da rainha Levana em um satélite por sete anos (deixando seus cabelos longos por não poder cortá-los) e uma cascuda, mas que não é descartada por ser uma ótima haker (imagina uma pessoa inteligente!). Gostei da protagonista porque vemos um lado diferente de nossas heroínas. Enquanto Cinder e Scarlet lutam e são revolucionárias, extremamente fortes, Cress apresenta um outro lado: inteligente, tímida e inocente, mas que se mostra tão forte quanto as outras duas. 

Com essa nova protagonista, também vemos um lado diferente do capitão Thorne, e se ele ainda não tinha roubado seu coração, nesse livro com certeza vai. Os dois personagens possuem uma dinâmica muito interessante e quando se juntam a turma, vemos a tão esperada revolução para derrubar Levana finalmente tomando forma. 

Lobo e Scarlet possuem um pouco menos de espaço, deixando as páginas mais livres para Cress e a jornada de Cinder. Iko por outro lado cresce cada vez mais e se torna a personagem mais cativante – sua lealdade e coragem a tornam uma das melhores personagens. 

Também gostei muito dessa nova protagonista por ver a evolução dela. De uma menina ingênua e extremamente sonhadora, aos poucos ela vai crescendo e se tornando uma mulher forte e uma importante peça para o grupo. Sua paixonite boba pelo Thorne do começo aos poucos vai se tornando algo maior, mostrando essa evolução – e incrivelmente, levando o capitão com ela.

Levana também vai ganhando cada vez mais espaço e mostrando toda sua crueldade. Ela deixa claro para o que veio e que não medirá esforços para o que quer. A personagem é extremamente cruel e muito bem desenvolvida que seu ódio chega a virar amor de tão boa em ser má que ela é. Estou louca para saber como será o final da Rainha má!

O final te deixa eufórico e tudo que você mais quer é pegar a continuação e ler logo para descobrir qual vai ser o desfecho dessa fascinante história. 



Sinopse de Winter: “Princesa Winter é admirada pelo Povo Lunar por sua graça e bondade, e embora possua cicatrizes em seu rosto, sua beleza é considerada ainda maior que a de sua madrasta, Rainha Levana. Winter não concorda com as atitudes de sua madrasta e ela sabe que Levana não aprova os sentimentos dela com um amigo de infância (o guarda do palácio Jacin). Mas Winter não é fraca como Levana imagina. Junto com uma ciborgue, Cinder e seus aliados, Winter pode ter a chance de começar uma verdadeira revolução.”

Talvez a princesa mais conhecida dos contos de fadas, Marissa deixou sua versão da Branca de Neve para o final – e que final!!! O livro é enorme, mas a história é tão cheia de ação e te prende tanto para saber o que irá acontecer que você nem vê passar. E quanto mais lê, mais deseja que esse não seja o último e que essa saga maravilhosa continue!

A versão da Branca de Neve veio com tudo. Nós somos apresentados à uma princesa extremamente bela, apesar de ter cicatrizes em seu rosto causadas por ela mesma quando sua toa usou o dom lunar nela. Mas a princesa se torna complexa quando ela se mostra meio louquinha e com um parafuso a menos – mas tudo por uma boa causa. Ela vê como sua madrasta usa seu dom de forma cruel e desde nova, Winter se recusa a usar seu dom lunar, mesmo que seja para o bem. Isso faz que ela tenha visões distorcidas da realidade e o único que pode a ajudar a se controlar é Jacin, seu amigo por quem é apaixonada e já nos foi apresentado em um dos livros anteriores e que traiu Cinder. Porém, quando a princesa é colocada em perigo, temos uma grande reviravolta.

Jacin ajuda Winter e Scarlet a fugirem do Castelo e ir em busca de Cinder que agora está em Luna, fazendo de tudo para montar sua revolução e finalmente conseguir se sentar em seu trono (o jogo dos tronos acontece em todos os lugares! Hahahah). Winter vai se mostrar uma personagem forte e cativante, mesmo com suas limitações por não usar seu dom. Além disso, irá tirar várias risadas com seus momentos de loucura. Ela rapidamente se tornou minha personagem preferida depois de Cress.

Nesse livro, parece que tudo vai acontecer e ao mesmo tempo nada. Vários planos são montados e derrubados, te levando ao desespero. À todo o momento, seu coração acelera, pensando em como Cinder e seu grupo vai conseguir derrubar Levana, que está cada vez mais sádica e cruel. 

No volume final, todos os personagens terão vários lados explorados e ganham seu próprio espaço, nunca sendo deixados de lado e incrementando ainda mais a narrativa. Por um lado, temos o grupo revolucionário em Luna lutando contra o tempo para revelar que Cinder é a verdadeira rainha de Luna e convocar o máximo de pessoas possíveis para destronar a Rainha cruel. Já no palácio, Levana faz de tudo para encontrar Cinder e matá-la, ao mesmo tempo em que tem que lidar com seu casamento com o Imperador Kai – que ganha mais espaço na revolução de Winter e se mostra cada vez mais um ótimo líder. 

O livro tem um ritmo frenético e não te decepciona. Ao contrário do que acontece em muitas sagas em que algum livro sempre decepciona e muitas vezes o final deixa a desejar, com as Crônicas Lunares isso não acontece. Desde Cinder a história é ótima e só continua a crescer – e em Winter isso é levado a outro patamar. 

Mais do que os outros três volumes, nesse temos uma carga política muito maior e isso só torna o final melhor. Levana aos poucos é mostrada como a governante cruel e sem coração, que manipula seu povo através do medo e seu poder. Aos poucos, sua máscara vai caindo (literalmente!). Finalmente somos apresentados a verdadeira aparência da Rainha e sua história (deu um pouco de pena).

Não consigo imaginar um final melhor. Perto do clímax do livro, você está em total desespero, sem conseguir largar o livro. Tudo acontece junto e você é bombardeado por um monte de emoções. 

Todos os personagens têm um crescimento incrível. Thorne mostra seu lado mais sensível, mostrando que é um amigo leal (ELE E CRESS, MELHOR CASAL!!!! AH MEU DEUS!!!!!!) e que sabe sim ser heroico e altruísta. Cress se mostra uma protagonista forte e que se sacrificará por seus amigos sem pensar duas vezes. Lobo tem um final um pouco triste, mas seu amor por Scarlet parece ultrapassar qualquer barreira (no final senti uma pitada de A Bela e a Fera na história deles) e Iko continua demonstrando que mesmo para uma robô, ela tem um coração muito melhor do que muitos humanos.

Não vou estregar o final, mas garanto que ele será muito melhor do que qualquer um possa imaginar. Você termina o livro com um pequeno pesar, não querendo deixar nenhum daqueles personagens tão cativantes. Cada um deixa uma mensagem especial e quando chega o famoso FIM, tudo o que conseguia pensar é MARISSA MEYER, POR FAVOR, FAÇA MAIS UM LIVRO!!!!!!!!

E todos viveram felizes para sempre!!!!


Mavi Tartaglia

domingo, 11 de dezembro de 2016

Resenha Scarlet - As Crônicas Lunares



Hoje trago para vocês um pouco sobre o segundo livro As Crônicas Lunares, Scarlet. 

Sinopse: “Depois de Cinder, estreia de sucesso de Marissa Meyer e primeiro volume da série As Crônicas Lunares, que chegou ao concorrido ranking dos mais vendidos do The New York Times, a autora está de volta com mais um conto de fadas futurista. Scarlet, segundo livro da saga, é inspirado em Chapeuzinho Vermelho e mostra o encontro da heroína ciborgue que dá nome ao romance anterior com uma jovem ruiva que está em busca da avó desaparecida. Em uma trama recheada de ação e aventura, com um toque de sensualidade e ficção científica, Marissa Meyer prende a atenção dos leitores e os deixa ansiosos pelos próximos volumes da série.”



Em Scarlet, temos a continuação dessa nova distopia baseada nos contos de fadas. Agora como plano de fundo, temos a Chapeuzinho Vermelho. Mais uma vez somos introduzidos em uma história já familiar, mas totalmente nova.

Com uma nova protagonista, Marissa mostra nesse segundo livro que chegou para ficar. Tão cativante e intenso quanto Cinder, Scarlet não irá te decepcionar.

Antes de continuar com o foco principal e a nova narrativa, vamos voltar um pouco para os personagens que já conhecemos. Cinder volta nessa história ainda mais forte e nos surpreendendo com uma protagonista forte – que agora divide o espaço com Scarlet. E assim como nossa ciborgue, outros personagens irão voltar. O que já elogiei na autora foi sua capacidade de introduzir tantos personagens e não deixar nenhum de fora. E nesse segundo volume ela continua fazendo isso. Ela apresenta uma nova protagonista e outros personagens e mesmo assim, ninguém fica sem um foco narrativo – e muito bem construído.

Apesar de Cinder estar de volta, ela não rouba o protagonismo de Scarlet. Essa nova protagonista também é forte e capaz de te surpreender tanto quanto Cinder. Sua jornada começa estranha desde as primeiras páginas ao se deparar com Lobo e com ele, sua história irá se cruzar com Cinder de forma fenomenal. 

A mistura de gêneros também funciona bem. Temos romance, aventura e comédia em uma distopia muito bem construída. Tiro meu chapéu para essa autora que conseguiu renovar os contos de fadas, trazer uma história que te prende com personagens fortes.

Cada personagem tem um enfoque principal e uma característica marcante, algo que a autora consegue deixar muito claro. Os personagens já conhecidos crescem de forma evidente, nos fazendo gostar mais deles. Já os novos já chegam com tudo, te cativando desde o início.

Ao decorrer da leitura, é difícil não se sentir completamente fascinado pela escrita e narrativa. Você não vê a hora de terminar e saber o que vai acontecer, mas quando termina, imediatamente sente falta dos personagens e fica com muitas indagações de como irá ser a continuação da história. 

Marissa sabe muito bem para onde está indo e que mundo criou. Tudo que você sentiu falta em Cinder, irá ser explorado gradativamente nos outros livros. Você descobre mais coisas sobre esse mundo conforme conhece mais personagens – e nada te decepciona.

O final promete grandes coisas e é impossível você quase não morrer de curiosidade para saber o que vai acontecer à seguir com todos os personagens – e essa trama confusa que continua a crescer e te surpreender. 

Mavi Tartaglia

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Resenha Cinder - As Crônicas Lunares



Olá, pessoas! Hoje trago para vocês mais uma resenha de uma releitura dos contos de fadas.


Sinopse: “Num mundo dividido entre humanos e ciborgues, Cinder é uma cidadã de segunda classe. Com um passado misterioso, esta princesa criada como gata borralheira vive humilhada pela sua madrasta e é considerada culpada pela doença de sua meia-irmã. Mas quando seu caminho se cruza com o do charmoso príncipe Kai, ela acaba se vendo no meio de uma batalha intergaláctica, e de um romance proibido, neste misto de conto de fadas com ficção distópica. Primeiro volume da série As Crônicas Lunares, Cinder une elementos clássicos e ação eletrizante, num universo futurístico primorosamente construído.”

Sinceramente, nunca pensei que um conto de fadas passado no futuro daria certo. Parece que a atmosfera que ronda essas histórias sempre são o passado ou uma terra distante. Portanto, começar a ler Cinder foi uma grande surpresa, ainda mais quando percebi o quanto aquilo funcionava. 

Em Cinder, iremos encontrar a história da Cinderela em um mundo distópico, cheio de tecnologia e ciborgues; anos depois da Quarta Guerra Mundial que mudou o cenário do nosso mundo – levando inclusive pessoas à viver na Lua. 

A escrita da autora é muito boa. O livro é grosso e os próximos volumes isso aumenta ainda mais, e mesmo assim, você não se cansa da leitura. Os capítulos te induzem a continuar a leitura e a história te envolve e cativa de uma forma que quando você, já está inserido nesse mundo familiar de contos de fadas e ao mesmo tempo tão distante. 

A autora também consegue entrelaçar várias histórias sem nunca perder o fio que está conduzindo. Você quer saber o que está acontecendo com todos e como as histórias acabam se juntando até formar uma – e ela consegue fazer isso com maestria, não deixando nenhum personagem de lado e cada um tendo a devida atenção. Todos os personagens são maduros e tem suas evoluções, assim como objetivo. Ninguém ali está para enfeite e isso fica bem claro ao passar a história.

A história de Cinder é muito bem construída. Ela é uma protagonista forte e que ao mesmo tempo consegue fugir dos clichês. Não é irritante, pelo contrário, cada vez amadurece mais e te envolve mais como personagem. Somos atormentados assim como ela à descobrir sobre seu passado – algo que será desvendado conforme passam os livros. 

Cinder é um ótimo começo para uma nova saga que está com potencial de conquistar milhares de leitores – e digo que já me conquistou. 

Os diversos núcleos poderiam fazer o livro decair, mas não aconteceu. Isso só tornou a história mais rica e envolvente, querendo descobrir o passado de cada um e aguardar ansiosamente o futuro da série.

Uma trama envolvente, com personagens cativantes (sério, você vai lendo e não sabe quem é melhor) e um toque de romance que irá agradar o público que procura um pouco disso, mas sem deixar meloso demais ou que isso até se sobressaia sobre a trama maior – focada na política.

Cinder tem o poder de te conquistas logo nas primeiras páginas e a sensação não irá parar tão cedo. Para quem está procurando por um novo livro de fantasia ou distopia que saia do batidão, As Crônicas Lunares é uma ótima escolha.

Mavi Tartaglia

domingo, 13 de novembro de 2016

Resenha Trilogia Encantadas




“Veneno: Repense Seus Vilões - Saga Encantadas - Livro 1


Para os fãs de Once Upon a Time e Grimm, Veneno é a prova de que contos de fadas são para adultos! Não existe 'Felizes para sempre'!
Você já pensou que uma rainha má tem seus motivos para agir como tal? 
E que princesas podem ser extremamente mimadas? 
E que príncipes não são encantados e reinos distantes também têm problemas reais? 
Então este livro é para você! Em Veneno, a autora Sarah Pinborough reconta a história de Branca de Neve de maneira sarcástica, madura e sem rodeios. Todos os personagens que nos cativaram por anos estão lá, mas seriam eles tão tolos quanto aparentam? 
Acompanhe a história de Branca de Neve e seu embate com a Rainha, sua madrasta. Você vai entender por que nem todos são só bons ou maus e que talvez o que seria 'um final feliz' pode se tornar o pior dos pesadelos! “

Feitiço: Saga Encantadas: Livro 2

Cuidado com o que você deseja!
Você se lembra da história da Cinderela, com sua linda fada madrinha, suas irmãs feias e um príncipe encantado? Então esqueça essa história, pois nesta releitura de Sarah Pinborough ninguém é o que parece.
Em um reino próximo, a realeza anuncia um baile que encontrará uma noiva para o príncipe e parece que o desejo de Cinderela irá ganhar aliados peculiares para ser realizado. Contudo, não será fácil: ela não é a aposta de sua família para esse casamento real, e sua fada madrinha precisa de um favorzinho em troca de transformar essa pobre coitada em uma diva real. Enquanto isso, parece que Lilith não está muito contente com os últimos acontecimentos e, ao mesmo tempo em que seu reino parece sucumbir ao frio, ela resolve usar sua magia para satisfazer suas vontades.

Poder: Saga Encantadas: Livro 3

Acordar uma princesa pode ser letal. Quando um príncipe mimado é enviado pelo seu pai para tentar desvendar os mistérios de um reino perdido, ninguém imagina os perigos que ele encontrará pela frente! Acompanhado da figura sóbria e sagaz do Caçador e de Petra, uma jovem valente que possui uma ligação muito forte com a floresta, o príncipe acaba encontrando um reino adormecido por uma estranha magia. Todos os seres vivos foram cercados pela densa mata e estão dormindo, em um sono pesado demais, que só poderia vir da magia. Mas que tipo de bruxaria assolaria uma cidade inteira e seus habitantes? E, principalmente, quem faria mal a uma jovem rainha tão boa e tão bela? A não ser, claro, que os olhos não percebam o que um coração cruel pode esconder...Poder é o terceiro volume da trilogia Encantadas, e traz como história principal o conto da Bela Adormecida.”

Entrando nessa nova onda de releituras de contos de fadas, a trilogia Encantadas irá fazer uma com um tom mais adulto e com versões bem diferentes do que estamos acostumados. Você irá encontrar um príncipe fracote e mimado, uma Cinderela que faz decisões duvidáveis, entre outros. 

Nessa releitura de Sarah irá fazer algo totalmente novo e chocante. Antes de começar a leitura, esqueça tudo que sabe ou acha conhecer dos contos de fadas, principalmente as versões Disney. Aqui você irá encontrar insanidade, sarcasmo e um tom muito mais adulto (principalmente no livro 3).

Cada vez que vejo uma releitura de contos de fadas, sou pega de surpresa. Parece que todo seu mundo foi uma mentira (Once Upon a Time estragando minha infância desde sempre) e um novo mundo se abriu. Com essa versão, não podia ser diferente. Gostei muito dessa nova versão totalmente fora dos clichês e que mostra personagens mais humanizados, com erros e imperfeições, apesar de continuarem lindos.

A leitura dos três livros é extremamente fácil. Eles são bem curtos e com uma diagramação que também agiliza a leitura. Além de tudo, a escritora tem uma escrita gostosa de se ler e consegue prender sua atenção na narrativa. Nos três livros, você não vai querer parar tão cedo até saber o final. Os livros vão te instigando mais conforme você passa de um para outro.

Apesar de ter gostado muito das histórias, fiquei um pouco decepcionada por serem tão curtos. Há momentos que dava para desenvolver melhor, mas principalmente os personagens. Por já serem conhecidos, a autora acaba deixando uma boa caracterização de lado. Apesar de dar novos ares para os personagens, senti que em alguns momentos eles eram rasos, precisando de mais profundidade, mas ao chegar no livro 3 as coisas vão melhorando.

O terceiro com certeza é o melhor e mais chocante, tanto em narrativa quanto em construção de personagem. Dá um pouco a impressão que no começo a autora estava perdida e lentamente foi se achando e conseguindo mostrar o queria.

Ao fim dos livros, a leitura ao todo valeu a pena. Gostei bastante dessa nova versão e você termina com um gostinho de quero mais (torcendo para ela um dia resolver continuar).

Obs: O que são aquelas capas MARAVILHOSAS? Eternamente apaixonada.

Obs2: O terceiro livro na verdade conta uma história que se passa antes do primeiro e segundo. Ele irá preencher vários pontos que você fica se perguntando o que aconteceu. Para quem preferir, dá para começar por ele e ler toda a história como um todo. Para quem quiser se surpreender, leia por último. 

Mavi Tartaglia

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Crítica A Garota no Trem



Sinopse: “Rachel (Emily Blunt), uma alcoólatra desempregada e deprimida, sofre pelo seu divórcio recente. Todas as manhãs ela viaja de trem de Ashbury a Londres, fantasiando sobre a vida de um jovem casal que vigia pela janela. Certo dia ela testemunha uma cena chocante e mais tarde descobre que a mulher está desaparecida. Inquieta, Rachel recorre a polícia e se vê completamente envolvida no mistério.”

Para quem gosta de um suspense e filmes que parecem um quebra-cabeça, deve dar uma chance para esse filme, porém sem esperar que seja um grande desataque do gênero. Apesar de em alguns trechos o filme ser um pouco lente, ele acaba prendendo o telespectador quando esse se vê cada vez mais conectado com a protagonista, querendo saber a resposta para a mesma pergunta que ela faz: O que havia acontecido na noite em que Megan desaparecera? Rachel tem algo a ver com isso?

Montado em flashbacks, vamos aos poucos descobrindo sobre o passado de Rachel e o que a levou a ser uma alcoólatra, ao mesmo tempo em que pequenos pedaços da vida de todos vão sendo passados para nós, mostrando como a vida de três mulheres acabaram se cruzando. 

A direção e roteiro são o grande problema do filme. O diretor não conseguiu dar um bom ar de mistério e suspense para o filme. Apesar de satisfeito no final, você sempre fica esperando o grande acontecimento, que parece não chegar. É nisso que falha o roteiro também, que fica um pouco confuso com seus flashbacks, não funcionando tanto quanto nos livros. 

No começo do filme, você acredita que Rachel é a grande vilã (pode até ficar em dúvida se ela participou ou não do desaparecimento), porém o modo como seu personagem é mostrado no início nos mostra uma imagem de uma pessoa fraca até realmente entendermos o que ela passou e o que toda essa trama passou para ela, podendo ser sua salvação ou sua ruina. 


Nesse quesito, Emily Blunt nos entrega uma interpretação ótima de ser ver. A atriz conseguiu dar uma profundidade à personagem que muitas vezes não consegui sentir ao ler o livro. Sua forma de interpretar o desespero, uma mulher em depressão e depois alguém tentando se reerguer foi o ponto alto do filme. A paleta de cores para representar a personagem também é muito sugestiva, principalmente nos tons frios e azuis. Vemos isso mudar no decorrer no filme conforme a personalidade de Rachel é montada.

Haley Bennett também nos dá uma ótima interpretação como Megan, colocando em uma personagem a inocência e sedução necessária. O elenco feminino foi o que mais brilhou no filme, até porque era o principal foco. Já o masculino foram interpretações médias, mas acredito que também por serem personagens mais rasos tanto no livro que baseou a história quanto no roteiro.

O que gosto muito no filme é a retratação dos personagens. O público enjoou de protagonistas perfeitos e que não fazem nada de errado. Estamos vendo, principalmente em filmes desse gênero, cada vez mais, um outro lado do ser humano, mostrando que todos são passíveis de erros. Ao mesmo tempo que isso nos aproxima mais dos personagens, vemos um novo lado da realidade sendo retratado e nos fazendo pensar. 

Para quem leu o livro, irá se sentir satisfeito com o grau de semelhança. O filme conseguiu ser forte em muitos aspectos que o livro não consegue, como também falhou em outros. No entanto, a narrativa em si se mantém muito próxima da que nos é apresentada na obra literária. 

Ao fim, A Garota no Trem não é tão grandioso quanto Garota Exemplar e não pode ser considerado um ótimo filme. Ele conseguiu passar sua mensagem e ser um filme bom, que irá te agradar, mas não será aquele filme que te deixará inquieta por dias como suspenses geralmente fazem.



Mavi Tartaglia

sábado, 8 de outubro de 2016

RESENHA DE INTERESTELAR


Precisamos falar sobre Interestelar! 



Sinopse: “Após ver a Terra consumindo boa parte de suas reservas naturais, um grupo de astronautas recebe a missão de verificar possíveis planetas para receberem a população mundial, possibilitando a continuação da espécie. Cooper (Matthew McConaughey) é chamado para liderar o grupo e aceita a missão sabendo que pode nunca mais ver os filhos. Ao lado de Brand (Anne Hathaway), Jenkins (Marlon Sanders) e Doyle (Wes Bentley), ele seguirá em busca de uma nova casa. Com o passar dos anos, sua filha Murph (Mackenzie Foy e Jessica Chastain) investirá numa própria jornada para também tentar salvar a população do planeta.”

Quem me conhece, sabe que sempre que esse filme é mencionado, eu surto. Considero esse filme uma obra prima da cinematografia e na minha vida, todos devem assisti-lo. Seja em seu sentido filosófico, físico ou cinematográfico, Interestelar foi (e ainda é) um filme que me marca toda vez que assisto. Acredito na possibilidade de que daqui 100 anos, ele será considerado um clássico do cinema.

Christopher Nolan sempre vem com filmes inovadores e que marcam (exemplos A Origem e trilogia O Cavaleiro das Trevas), mas esse é o filme que eu considero sua maior obra (e uma das maiores obras da sétima arte).

Começando pela física, o filme é extremamente fiel às suas leis e trata a relatividade e a passagem do tempo de forma espetacular e poética. Para amantes de física ou simplesmente que gostam de teorias de tempo e espaço (meu caso), esse filme é um prato cheio. Um de seus pontos mais comentados foi sua fidelidade com as leis naturais, sendo um exemplo o não uso de som diegético no espaço, já que não a propagação no mesmo. Inclusive a NASA ajudou nas criações de algumas artes do filme.


Já em sentido mais filosófico, o filme traz uma grande uma grande crítica ao capitalismo de hoje e quais serão as consequências disso – um futuro nada agradável. O mundo está sem tecnologia e se tornou um grande deserto. As plantações estão cheias de praga, o alimente é difícil de conseguir e o mundo é abatido por chuvas de areia. 

Uma das frases mais marcantes do filme é dita pelo piloto Cooper “A humanidade nasceu na Terra, mas não morrerá aqui.”

O filme visualmente é um deleite de ser assistido. Somos arrebatados por imagens incríveis e impactantes o tempo todo, seja a destruição e decadência da Terra; seja o espaço e toda a jornada da tripulação da Endurance. A trilha sonora também é algo de outro mundo. Hans Zimmer mais uma vez vem para detonar e a música de fundo só torna o filme melhor. Há cenas tão lindas de se ver e a trilha sonora a completa, podendo te levar a êxtase.

Apesar de ser um filme longo, eu não vi passar o tempo. Quanto mais o filme avança, mais a tensão aumente. A primeira vez que assisti, perto do final mal conseguia ficar sentada. 

Como sempre acontece nos filmes de Nolan, a narrativa não é tão fácil de se acompanhar e leva um tempo até entender o que está acontecendo. Porém, isso só torna o filme melhor.

O drama recai principalmente sobre o personagem de Matthew McConaughey, que mais uma vez, destrói em seu papel. Há uma cena em especial em que ele está vendo as filmagens de seus filhos e é impossível não se emocionar com a dor que ele transmite. Anne Hathaway também está excelente em seu papel, levando um lado mais racional para o personagem de Cooper, que à todo custo quer seguir com o plano A (conseguir salvar as pessoas da Terra), enquanto Brand pensa mais na sobrevivência da humanidade em si, seja a forma que der.

Mackenzie Foy surpreende com sua interpretação como a Murphy jovem. As primeiras cenas dela com Matt trazem uma grande carga emotiva para o filme. Apesar de alguns falarem que Jessica Chastain não foi tão necessária e bem no papel da personagem mais velha, eu achei o contrário. Ela mostra muito bem as magoas que sente por seu pai ter a abandonado, ao mesmo tempo que luta pela sobrevivência das pessoas na Terra e começa a perdoar seu pai.

Enfim, ao final do filme, você sente que esteve em uma viagem extraordinária. O filme ficará em sua cabeça por vários dias, tentando entender algumas partes e pensando se um dia a Terra irá chegar aquele ponto. Depois de assistir várias vezes, ainda sim, depois que termino, a experiência continua tão boa quanto da primeira vez.

Para mim, esse filme tem grande potencial para se tornar uma grande obra prima do cinema em alguns anos. Christopher Nolan se prova cada vez mais como um dos melhores diretores da atualidade. 


Mavi Tartaglia

domingo, 21 de agosto de 2016

Resenha - Objetos Cortantes, Gillian Flynn



Olá! Hoje trago para vocês a resenha de um romance policial, Objetos Cortantes, de Gillian Flynn, mesma escritora de Garota Exemplar. 


Sinopse: “Uma narrativa tensa e cheia de reviravoltas. Um livro viciante, assombroso e inesquecível. Recém-saída de um hospital psiquiátrico, onde foi internada para tratar a tendência à automutilação que deixou seu corpo todo marcado, a repórter de um jornal sem prestígio em Chicago, Camille Preaker, tem um novo desafio pela frente. Frank Curry, o editor-chefe da publicação, pede que ela retorne à cidade onde nasceu para cobrir o caso de uma menina assassinada e outra misteriosamente desaparecida.

Desde que deixou a pequena Wind Gap, no Missouri, oito anos antes, Camille quase não falou com a mãe neurótica, o padrasto e a meia-irmã, praticamente uma desconhecida. Mas, sem recursos para se hospedar na cidade, é obrigada a ficar na casa da família e lidar com todas as reminiscências de seu passado. Entrevistando velhos conhecidos e recém-chegados a fim de aprofundar as investigações e elaborar sua matéria, a jornalista relembra a infância e a adolescência conturbadas e aos poucos desvenda os segredos de sua família, quase tão macabros quanto as cicatrizes sob suas roupas.”

Uma das coisas que me fazem mais gostar dessa escritora são suas protagonistas fora do clichê. Por ser um romance policial, já não temos aquele ar que todas as protagonistas têm. Porém, além de serem a personagem principal, Flynn nos apresenta personagens fora do padrão, fora de nosso costume. Personagens femininas não muito delicadas, não inclinadas á coisas como maternidade, entre outros. Então ela pega essas personalidades peculiares e as transforma em psicopatas (em sua maioria). 

Essa característica é marcante em seus livros e não posso não dizer que essa é a principal razão do porquê aprecia tanto os livros dela. As personagens nunca se comportam como você imagina, o que acaba instigando ainda mais para continuar a leitura.

Depois de Lugares Escuros, esse é o livro da escritora mais impactante. Você termina a leitura com uma sensação de incomodo, perguntando-se como personagens tão problemáticos conseguiram chegar até ali (como ninguém nunca percebeu que aquela família precisava de ajuda?). 

Em alguns momentos, a leitura é um pouco devagar, mas já passei por isso com os outros livros da autora. Mas quando a trama te pega, você fica louco para chegar até o final logo. Tudo parece resolvido e então, de repente, não está.

Esse é o livro com o final um pouco mais previsível que os outros da autora. Talvez por ser seu primeiro, ela ainda não sabia explorar totalmente seu potencial. A trama possui alguns problemas, como o desenvolvimento de alguns personagens que poderia ter sido melhor. 

Apesar de ser o primeiro livro da autora, ela já mostra que sabe para o que veio. Em seus outros livros mostra sua evolução clara (para mim Garota Exemplar é um dos melhores livros que já li). No entanto, não tira o mérito dessa obra. 

Se você já leu outros livros da autora, não irá se decepcionar por esperar um livro tão chocante quantos os outros (ela é mestre em te deixar nem um pouco confortável durante a leitura), você terá um final fora do comum também. Gillian sabe muito bem como trabalhar com personagens problemáticas e usar isso em sua obra para guiar a narrativa.

A autora sabe muito bem como explorar o lado feio do ser humano, e ter isso jogado na sua cara como foi feito nesse livro, é de tirar o folego. Ela põe em dúvida o que a natureza humana esconde e o que ela pode causar quando problemas sociais e pessoais não são lidados. 

No final, ele é meu segundo preferido da autora. Achei a narrativa mais fácil de lidar do que Lugares Escuros, apresentando um final satisfatório e que nos mostra porque essa autora está fazendo grande sucesso.

Mavi Tartaglia

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Esquadrão Suicida


Olá, pessoas! Depois de tantos comentários, vou me render e finalmente falar o que achei de Esquadrão Suicida.


Não, eu não odiei o filme. Esperava mais, claro. A grande maioria esperava mais. Mas posso dizer que não senti que foi uma experiência desperdiçada após sair do cinema. 
Ultimamente, todos os filmes de super heróis tem gerado uma grande expectativa. Com a Marvel já consolidada no mercado, e com os filmes que apesar de terem algumas críticas negativas, a maioria é grande sucesso de público e até mesmo de alguns críticos. Com esse cenário, fica impossível não gerar uma grande expectativa e comparações com o mundo da DC, principalmente porque esta está investindo agora em seu universo de super heróis (depois de anos, finalmente teremos o filme da Liga da Justiça).

Mas voltando a Esquadrão. Uma coisa que TEM QUE ficar clara é que os filmes da DC são mais sombrios que os da Marvel. Mas cada um com seu estilo. Eu acho bacana ter esses dois, completamente diferentes e que ainda me agradam. Eis que a DC resolveu que agora quer colocar um pouco de humor em seus filmes. Eu acho que se for bem feito, é muito bem vindo. Ter aquele filme pesado e sombrio, mas com leves pitadas de humor na hora certa, pode até tornar o filme melhor. E é aí que entra uma das grandes críticas do filme: tentaram colocar um humor, que segundo muitos, não funcionou. 

Se pegar o primeiro trailer divulgado na Comic Con de 2015 e comparar com os mais recentes, fica claro essa mudança de estratégia. Para mim, teve algumas falhas nesse quesito, sim, mas particularmente gostei. Tentar fazer isso com o filme do Esquadrão pareceu o certo. Seria um tom sombrio e divertido que poderia combinar com a trama, algo que já não funcionaria tão bem com Batman vs Superman ou um filme solo do Batman. Talvez o que prejudicou um pouco foi eles terem confiado muito nesse tom, o que algumas vezes os deixou perdidos, mas ao meu ver, nada extremo. Vejam os trailers abaixo para compará-los. 




Gostei da personalidade da Arlequina, louca, com tiradas que nos fazia rir. Com toda certeza, um dos grandes destaques do filme. E mesmo com todo seu humor, podemos ver um outro lado dela. Talvez esse outro lado poderia ter sido um pouco mais explorado; mas acredito que essa não tenha sido a falha do filme. Na verdade, ela foi um dos grandes destaques, senão o destaque do filme. A atriz está de parabéns e maravilhosa no papel. Dela, não senti falta de nada e com certeza conquistou muitos fãs (minha mãe adorou a personagem dela e ela não é uma pessoa muito fácil de agradar). De todos os personagens, ela foi a melhor escolha para ter as tiradas. 

Outro ponto que eu AMEI foi a trilha sonora. Nada como um filme com uma trilha sonora digna, que faça as cenas dos filmes ficarem ainda melhores. O filme já começa arrebentando nesse quesito, já nos apresentando Pistoleiro e Arlequina de forma que nos conectássemos com eles através da música (além de terem sido os personagens de maior destaque no filme). 

O que prejudicou Esquadrão Suicida foi sua edição. Sim, o filme ficou com muitas partes picotadas, o que dificultou o entendimento das sequências das cenas e a fluidez do filme. Na minha opinião, a primeira parte foi a mais complicada. Todos os personagens foram apresentados rápidos demais (em alguns casos funcionou, em outros, como da Arlequina, acredito que deixou muitas brechas e muitas cenas boas de fora). Alguns personagens não foram devidamente apresentados (exemplo, Katana) e depois mal explorados no filme, quase parecendo um figurante, nos levando a pergunta de "por que ele está no filme?'. Todos os filmes passam por alguns cortes, principalmente quando o filme fica muito longo (agradecemos às versões estendidas lançadas posteriormente), porém a maioria isso é bem feito. Com este filme, infelizmente, isso não ocorreu, o que o levou quase inteiramente água abaixo. 

Alguns personagens poderiam ter mais destaque, sim, claro, assim em cada filme explorava um pouco mais da história de alguns; porém o problema foi que a disparidade entre eles foi MUITO grande. Muitos personagens bons que foram mal utilizados. O filme foi basicamente Arlequina, Pistoleiro, Amanda e Flag. Por que tantos personagens se eles seriam deixados para escanteio? 

A Magia foi uma personagem que foi afetada muito pela edição, o que prejudicou a história. Suas primeiras cenas foram confusas, a vilã mal explorada, sem realmente explicar seus objetivos ali. Sua transformação de membro do esquadrão para vilã foi muito de repente. Do nada ela virou alguém que precisava ser parada, mas ao mesmo tempo dividia o papel de vilão com seu irmão, não mantendo um foco só. 

Entrando para outra parte que não gostei: como foi tratado a relação da Arlequina com o Coringa. Sim, eles romantizaram DEMAIS o casal. Não é o mesmo que vemos nas HQ'S e desenhos da Liga. Coringa não parece como abusivo e sim como um namorado que se importa, o que é totalmente mentira e contraditório com o personagem. Só aí, já senti que tiraram muito da personalidade do vilão. Para quem não conhece a história, sai do cinema achando que ele a ama e faria tudo por ela. 

Então chegamos na grande questão do Coringa. Colocaram uma puta expectativa nela, com um puta marketing, para no final não termos praticamente nada e sairmos frustrados. O primeiro erro foi fazerem tanta propaganda com ele, quando na verdade, ele nunca foi um personagem que seria ativo na trama, e sim usada apenas como apoio para Arlequina. Fizeram parecer que teríamos novamente o vilão icônico conosco. Somente isso já colocou uma grande pressão no filme e no ator, gerando ALTÍSSIMAS expectativas. Justamente por isso, desde o começo eu falava o quanto tinha medo de não gostar dessa versão. No fim, não gostei e nem odiei. Não consegui formar uma opinião quando as cenas dele mal foram utilizadas. Mas o filme fez transparecer que o personagem não é aquele grande vilão que estamos acostumados. 

O que realmente odiei foi o figurino dele. Desde quando foi divulgado não gostei e podem falar o que quiser, continuarei não gostando. Para mim, não ficou com cara de Coringa, não transmite a grande personalidade dele. Queriam dar uma modernizada, mas acabaram descaracterizando demais. Eu não consigo levar o personagem tão a sério com aquela roupa. O que curti foi a risada dele, meio macabra, meio irônica. 

Resumindo, coloco a culpa de ter não sido um filme esplêndido por tais motivos: uma edição que prejudicou MUITO o filme e o marketing enganoso, que nos prometia um certo filme e recebemos outro.
No final, sai do filme achando ele um BOM filme. Garantiu boas horas de diversão e distração. Os personagens que foram bem explorados não me deixaram a desejar (Viola Davis rainha, fez A Amanda) e com pontos no filme que fizeram valer a pena.

A única coisa que espero é que depois disso, a DC aprenda com seus erros e nos traga filmes que realmente superem e satisfaçam as expectativas dos fãs (POR FAVOR, NÃO ESTRAGUEM MULHER MARAVILHA, PORQUE AÍ A COISA VAI FICAR SÉRIA!!!).

Enfim, ele possui personagens com grande potencial para serem explorados futuramente em outros filmes se souberem conduzir. Ao final, Esquadrão Suicida conseguiu se firmar somente como um filme de entretenimento, porém sem nenhum adicional de fortes impressões.

Mavi Tartaglia

Guardiões da Galáxia Vol. 3 - Uma despedida agridoce

  Guardiões da Galáxia Vol. 3 chegou nesta quarta-feira (04/05) aos cinemas para fechar a trilogia do grupo, dirigido e roteirizado por Jame...